Quarentena – momento 3- “o agradável espanto”.

Quarentena – momento 3- “o agradável espanto”.

05/06/2020

Quarentena – momento 3: “o agradável espanto”.

- dos Supervisores e Consultores, nos relatos dos pais, para seus consultores e médicos.

Fazer uma nova formação, para AGREGAR CONHECIMENTOS À SUA ESPECIALIDADE (para os profissionais da área da saúde e educação), com ética e fidelidade ao protocolo, CAPACITAR PAIS (através dos consultores) tornando-os parceiros para cuidar/auxiliar e ver a sua criança crescer nos Níveis de Desenvolvimento Funcional (NDFs), adequados sem lacunas (que o impeçam de usar seu potencial) não é, como repito incansavelmente, uma tarefa fácil.

Nos relatos dos pais, e crescimento dos filhos, vemos que os resultados aparecem, quando “suamos a camiseta” como diz seu criador, Dr Rick Solomon.Nessa quarentena tenho escutado e sinto isso, e prossigo me espantando, com a satisfação que emerge em todos nós, os envolvidos. Todos estamos trabalhando mais, paradoxalmente! Acompanhei e acompanho o P.L.A.Y.project sendo construído nos moldes científicos, e me entusiasmei a ponto tal que Neuroplaybrasil surgiu em decorrência dessa ferramenta.

Voce não precisa ter o quadro fechado no diagnostico de TEA. Basta ter “sinais de alerta”. Pais são leitores da interação com seu bebê! Pais querem seu filho interagindo. Pais querem o melhor para seu filho.

Aprendi e aprendo todos os dias com cada criança - Há mais de 40 anos na profissão de médica, neuropediatra. Há mais de 1 década engajada a entender e aplicar o protocolo P.L.A.Y.

TODOS, SEM EXCEÇÃO, necessitam ter humildade de querer aprender mais. Para absorver a nova capacitação, sejam consultores, sejam pais. Para pais não há formação, e sim informação para a aplicação. Dos relatórios construídos pelo consultor, a partir dos NDFs do seu filho, até a emergência da funcionalidade em cada NDF,os pais precisam se envolver, os consultores precisam se apropriar do conhecimento, para delineá-lo e aplica-lo. Para o consultor, sua formação prévia em neuro-desenvolvimento, é essencial, pois que a consilience permite o “jumping together” (E. Wilson) para ter-se recursos internos suficientes para a diversidade e assim poder auxiliar no preenchimento dos espaços lacunares. Para o consultor, desprender-se de conceitos rígidos de IMPOR CONDUTAS PARA “SUBIR OS DEGRAUS DA ESCADA DO DESENVOLVIMENTO” observar a criança, descobrindo assim seu interesse motivacional, demanda estudo, experiência previa com neuro-desenvolvimento, flexibilidade cognitiva.Há que se sair da sua zona de conforto teórico!

E a partir disso, seguir dentro do protocolo, com as regras já documentadas no manual de fidelidade, que foram comprovadas em estudo duplo cego, randomizado, repito, há que se estudar, estudar, observar, observar. P.L.A.Y. não pode ser traduzido para o português como se fosse o brincar. Play and language implica interação com uso de funcionalidade para cada nível. Não é “ACHOMETRO”/ NÃO É CONSELHO DE AVÓ. E isso se aplica aos pais e professores. A construção e de “dentro para fora; do mais primitivo ao mais complexo. E nem todos se adaptam a não impor! A diversidade requer consultores que possam querer estudar neurodesenvolvimento como referencia e dentro disso entender os desvios padrões... e tolera-los, criando a partir dali “a rede neural do pescador”. Mas tem pontos de contato com o que já existe vivenciado em sua infância, dentro de cada um que teve a experiência de interagir com pais e avós capazes de descer ao nível de desenvolvimento funcional da criança e ter diversão na interação , e desprendimento suficiente para crescer na CONSTRUÇÃO DOS DEGRAUS DA ESCADA DO NEURODESENVOLVIMENTO. Isso é um diferencial equivalente na psicologia quando se diz, “tal paciente não tem insight para psicanalise, ou, tal paciente deve ser conduzido em terapia cognitivo comportamental e por ai afora”,compreendem? Pais e consultores necessitam também sair de sua zona de conforto! Quer oportunidade melhor que essa da quarentena?

Para os que ainda não conseguiram apreender a principal mensagem deste blog, la vai a concretude da mensagem: NÃO ASSUMA PAPEL DE TUTOR. ISSO VOCE PRECISARÁ SER AO LONGO DA VIDA PARA AUXILIAR A CRIANÇA, CAMINHE COM ELA SEGUINDO O PROTOCOLO DOS NDF.

DISCERNIR O JOIO DO TRIGO, como você verá em breve na leitura do blog (n2) da mae do MENINO DO TRATOR, auxiliando o menino, através dos relatórios. A consultora não pára de se surpreender com os alcances dessa família, a ponto de, em tempo de quarentena, e de supervisão e orientação via tele- filmagem usar uma expressão que mexeu muito comigo como supervisora e consultora: ela disse, espontaneamente: “me levem com vocês”!

Explico: a consultora/supervisora, entrou de tal forma na filmagem e na orientação que incorporou a ferramenta nova, o computer/apps/mídia utilizada que não deixou fragmentar A RELACAO entre consultor/pais e criança, compreendem? Ela estava no computer, dentro da casa dos pais...

Isso é “selo – ouro” de muito estudo, entender o quanto há níveis de compreensão para deixar-se complexizar no aprendizado, onde a espontaneidade para manter o engajamento com circularidade, onde todos se divertem, onde a criança tem modelagem do prazer da relação com o outro, e donde emerge mais e mais idéias, que do imaginário serão transcritas e entrelaçadas num córtex cerebral integrado de representações e aplicadas no aprendizado.

ESSA linguagem, onde há PERMISSAO DOS PAIS E DA SOCIEDADE de trazer para o REAL as idéias que emergem de sua especificidade neural, são os resultado do “serzir da rede neural” que inicialmente era porosa e sem pontos de apoio conexional  para alavancar funções mentais complexas, e que após a construção surpreende e deleita pais e consultores.

EXIGE muito investimento e desprendimento dos pais, sim! Mas se for apoiado em seguir as ideias da criança “costurando” com o conhecimento transmitido pelo consultor aos pais , escuto coisas como: “ me dei conta que usava a mesma linguagem comportamental do terapeuta de apenas reforçar a conduta e não escutava a linguagem “não verbal” do meu filho. Quando mudei meu olhar, minha conduta mudou, e ME SURPREENDI E ME ENCANTEI COM O QUE MEU FILHO ME MOSTRAVA. E começamos a dialogar; deixei de priorizar a fala por repetição e gratificação, para ter
COMUNICAÇÃO”.

Preciso dizer o que emergiu da nossa comunicação?

Entao, essa é uma" linguagem sentida" e é por todos os envolvidos na construção; ela é a integração via sistema autonômico, de percepção sensorial, de integração sensório motora, de representação cortical. Isso é subir os degraus do neurodesenvolvimento, sem lacunas. Quando a criança chega no topo da escada ela conseguiu internalizar e representar a funcionalidade, conseguiu inibir as frustrações, conseguiu entender que o outro tem desejos que nem sempre são os seus, e juntos, os pais percebem que auxiliaram, sem impor. Capacitar os pais para capacitar a criança , metaforicamente é “costurar sua própria rede neural cortical!” E dessa rede neural emergirá, com criatividade, sua forma de aprender, complexizadamente, sem invadir o espaço do outro, aceitando que todos precisamos inibir o “invasivo” e facilitar o “criativo/interativo”!

Para quem quer associar o escrito e ter novas ideias nessa quarentena, recomendo o filme da Pixar, “from inside out” . Em tempos de quarentena é uma boa sugestão para conversar sobre emoções com seus filhos. (por isso vejo esse filme muito mais feito para pais do que para crianças). Sem as emoções ajudamos a construir robozinhos que não emitirão seu pensar e sim apenas o programado pelo adulto não é mesmo

E para o que ficou para ser dito sobre o menino do trator que caminha para” o pensar complexo”, acredito que no pós quarentena os professores se surpreenderão com o nosso “menino do trator!”

Maria Sonia Goergen, MD,
Neuropediatra, coordenadora do neuroplaybrasil.

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